{"id":259,"date":"2012-07-19T16:43:59","date_gmt":"2012-07-19T19:43:59","guid":{"rendered":"http:\/\/linuxrs.com.br\/?p=259"},"modified":"2012-07-20T17:45:00","modified_gmt":"2012-07-20T20:45:00","slug":"redes-wireless-calculando-a-potencia-de-transmissao-e-de-recepcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.clusterweb.com.br\/?p=259","title":{"rendered":"Redes wireless: Calculando a pot\u00eancia de transmiss\u00e3o e de recep\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2><a href=\"http:\/\/www.hardware.com.br\/tutoriais\/calculando-potencia-wireless\/\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n<p>Assim como em outras tecnologias de transmiss\u00e3o via r\u00e1dio, a dist\u00e2ncia que o sinal \u00e9 capaz de percorrer em uma rede Wi-Fi depende n\u00e3o apenas da pot\u00eancia do ponto de acesso, mas tamb\u00e9m do ganho da antena e de fatores ambientais, tais como obst\u00e1culos e interfer\u00eancia eletromagn\u00e9tica. Este \u00e9 um guia de como calcular a pot\u00eancia efetiva de transmiss\u00e3o do ponto de acesso e como obter a pot\u00eancia necess\u00e1ria para atingir a dist\u00e2ncia desejada ao criar um link de longa dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A pot\u00eancia total da transmiss\u00e3o \u00e9 medida em dBm (decibel milliwatt), enquanto o ganho da antena \u00e9 medido em dBi (decibel isotr\u00f3pico). Em ambos os casos, \u00e9 usado o decibel como unidade de medida, mas o par\u00e2metro de compara\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente, da\u00ed o uso de duas siglas distintas.<\/p>\n<p>No caso da pot\u00eancia de transmiss\u00e3o, o par\u00e2metro de compara\u00e7\u00e3o \u00e9 um sinal de 1 milliwatt. Dentro da escala, um sinal de 1 milliwatt corresponde a 0 dBm. A partir da\u00ed, cada vez que \u00e9 dobrada a pot\u00eancia do sinal, s\u00e3o somados aproximadamente 3 decib\u00e9is, j\u00e1 que, dentro da escala, um aumento de 3 decib\u00e9is corresponde a um sinal duas vezes mais forte, da mesma forma que temos com o som:<\/p>\n<pre>00 dBm = 1 milliwatt\r\n03 dBm = 2 milliwatts\r\n06 dBm = 4 milliwatts\r\n09 dBm = 7.9 milliwatts\r\n12 dBm = 15.8 milliwatts\r\n15 dBm = 31.6 milliwatts\r\n18 dBm = 61.1 milliwatts\r\n21 dBm = 125.9 milliwatts\r\n24 dBm = 251.2 milliwatts\r\n27 dBm = 501.2 milliwatts\r\n30 dBm = 1000 milliwatts\r\n60 dBm = 1000000 milliwatts<\/pre>\n<p>O ganho da antena, por sua vez, \u00e9 medido em rela\u00e7\u00e3o a um radiador isotr\u00f3pico, um modelo te\u00f3rico de antena, onde o sinal seria transmitido igualmente em todas as dire\u00e7\u00f5es. Um radiador isotr\u00f3pico seria uma esfera perfeita, sem diferen\u00e7a alguma de polariza\u00e7\u00e3o em toda a superf\u00edcie. Ele \u00e9 imposs\u00edvel de construir na pr\u00e1tica (j\u00e1 que a presen\u00e7a do conector j\u00e1 tornaria a esfera imperfeita) e n\u00e3o seria muito \u00fatil de qualquer forma, pois mandaria muito sinal para o c\u00e9u e para a terra e menos sinal para os clientes que devem receb\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Todas as antenas concentram o sinal em determinadas dire\u00e7\u00f5es, sendo que quanto mais concentrado \u00e9 o sinal, maior \u00e9 o ganho. Uma antena de 3 dBi, por exemplo, irradia o sinal com o dobro de pot\u00eancia que um radiador isotr\u00f3pico, por\u00e9m irradia em um \u00e2ngulo duas vezes menor. Uma antena de 6 dBi oferece um sinal quatro vezes mais concentrado, por\u00e9m para um \u00e2ngulo 4 vezes mais estreito, e assim por diante. De uma forma geral, quanto maior \u00e9 o ganho desejado, maior precisa ser a antena; justamente por isso as antenas ominidirecionais e yagi de alto ganho s\u00e3o muito maiores que as antenas padr\u00e3o de 2.2 dBi dos pontos de acesso.<\/p>\n<p>Continuando, a pot\u00eancia total de sa\u00edda \u00e9 obtida convertendo a pot\u00eancia do transmissor, de milliwatts para dBm e, em seguida, somando o ganho da antena (em dBi). Duas calculadoras que oferecem a op\u00e7\u00e3o s\u00e3o:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.radiolabs.com\/stations\/wifi_calc.html\">http:\/\/www.radiolabs.com\/stations\/wifi_calc.html<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/store.freenet-antennas.com\/linkbudget.php\">http:\/\/store.freenet-antennas.com\/linkbudget.php<\/a><\/p>\n<p>Como comentei, a maioria dos modelos dom\u00e9sticos de pontos de acesso trabalham com 17.5 dBm (56 milliwatts) ou 18 dBm (63 milliwatts) de pot\u00eancia, mas existem modelos com apenas 15 dBm (31.6 milliwatts) e, no outro extremo, alguns modelos com at\u00e9 400 milliwatts (26 dBm), como o Senao ECB-3220 e o OVISLINK WL-5460:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" id=\"figura62\" src=\"http:\/\/e.cdn-hardware.com.br\/static\/20110603\/m740eb1e4.jpg.resized.jpg\" alt=\"\" name=\"figura62\" align=\"bottom\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" id=\"figura63\" src=\"http:\/\/e.cdn-hardware.com.br\/static\/20110603\/m66b1dc45.jpg.resized.jpg\" alt=\"\" name=\"figura63\" align=\"bottom\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 importante notar que, em muito casos, a pot\u00eancia anunciada pelo fabricante inclui o ganho da antena, de forma que um ponto de acesso com sinal de 20 dBm pode ser, na verdade, um ponto de acesso com transmissor de 18 dBm e uma antena de 2 dBi. Nesse caso, voc\u00ea obteria 24 dBm ao substituir a antena padr\u00e3o por uma antena de 6 dBi e n\u00e3o 26 dBm (20+6) como poderia pensar \u00e0 primeira vista. Uma diferen\u00e7a de 2 dBm pode parecer pequena, mas na verdade equivale a um aumento de 66% na pot\u00eancia do sinal, da\u00ed a import\u00e2ncia de checar as especifica\u00e7\u00f5es com aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica \u00e9 simples: Nenhuma antena irradia o sinal igualmente em todas as dire\u00e7\u00f5es. Mesmo as antenas ominidirecionais irradiam mais sinal na horizontal que na vertical. Isso significa que o sinal \u00e9 concentrado dentro da \u00e1rea de transmiss\u00e3o da antena, tornando-se mais forte. Como vimos, quanto maior o ganho da antena, mais concentrado e forte \u00e9 o sinal, fazendo com que ele seja capaz de percorrer dist\u00e2ncias maiores e superar mais obst\u00e1culos. Se a pot\u00eancia de transmiss\u00e3o nominal \u00e9 de 400 mW, o uso de uma antena de 2.2 dBi faria com que, na pr\u00e1tica, tiv\u00e9ssemos uma pot\u00eancia de transmiss\u00e3o de 880 mW (29.4 dBm).<\/p>\n<p>Se a antena padr\u00e3o fosse substitu\u00edda por uma antena yagi com ganho de 18 dBi, a pot\u00eancia de transmiss\u00e3o subiria para 44 dBm e, se a antena tivesse 24 dBi, subiria para impressionantes 50 dBm. Na pr\u00e1tica, os valores seriam um pouco mais baixos, devido \u00e0 perda introduzida pelo cabo e pelos conectores, mas ainda assim os n\u00fameros seriam impressionantes.<\/p>\n<p>Mesmo um ponto de acesso mais simples, com um transmissor de 56 milliwatts (17.5 dBm), pode atingir uma boa pot\u00eancia de transmiss\u00e3o se combinado com uma antena de bom ganho. Mesmo usando uma antena setorial de 12 dBi, a pot\u00eancia total de transmiss\u00e3o j\u00e1 seria de 29.5 dBm, o que equivale a 891 milliwatts. A principal diferen\u00e7a \u00e9 que nesse caso o sinal seria concentrado em uma \u00e1rea muito menor, tornando-o utiliz\u00e1vel para um link de longa dist\u00e2ncia, mas n\u00e3o para uma rede dom\u00e9stica, onde o sinal precisa ficar dispon\u00edvel em todo o ambiente.<\/p>\n<p>Em se tratando de links de longa dist\u00e2ncia, \u00e9 preciso ter em mente que a pot\u00eancia de transmiss\u00e3o do ponto de acesso n\u00e3o est\u00e1 necessariamente relacionada \u00e0 sua sensibilidade de recep\u00e7\u00e3o, e a falha em captar o sinal do cliente tamb\u00e9m leva \u00e0 perda da conex\u00e3o. Ou seja, para obter um ganho tang\u00edvel, \u00e9 necess\u00e1rio usar produtos com uma maior pot\u00eancia de transmiss\u00e3o dos dois lados do link.<\/p>\n<p>Uma antena de alto ganho (corretamente focalizada), por outro lado, aumenta tanto a pot\u00eancia de transmiss\u00e3o quanto a sensibilidade de recep\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que \u00e9 capaz de concentrar o sinal em ambas as dire\u00e7\u00f5es. \u00c9 por isso que instalar uma antena yagi na placa do seu notebook permite que ele consiga se conectar a redes t\u00e3o distantes, mesmo sem modifica\u00e7\u00f5es nos respectivos pontos de acesso.<\/p>\n<p>Continuando, o sinal transmitido pelo ponto de acesso \u00e9 espalhado por uma grande \u00e1rea, de forma que apenas uma pequena quantidade da energia irradiada \u00e9 efetivamente captada pela antena receptora. Vamos ent\u00e3o a uma outra tabela, dessa vez com a perda te\u00f3rica em um ambiente livre de obst\u00e1culos:<\/p>\n<pre>500 metros: -94.4 dB\r\n1 km: -100.4 dB\r\n2 km: -106.4 dB\r\n4 km: -112.4 dB<\/pre>\n<p>Como disse, estes n\u00fameros s\u00e3o puramente te\u00f3ricos, a come\u00e7ar pelo fato de que n\u00e3o temos (pelo menos n\u00e3o dentro da atmosfera do nosso planeta) um ambiente completamente livre de obst\u00e1culos, j\u00e1 que a pr\u00f3pria umidade do ar atenua o sinal em certa intensidade.<\/p>\n<p>Em um ambiente real, voc\u00ea poderia calcular uma perda de 117 dB para uma dist\u00e2ncia de 2 km em campo aberto, com um acr\u00e9scimo de 6 a 9 dB cada vez que a dist\u00e2ncia dobra.<\/p>\n<p>A margem \u00e9 necess\u00e1ria, pois em uma situa\u00e7\u00e3o real voc\u00ea raramente consegue obter um alinhamento perfeito das antenas e fatores ambientais, como o vento e a chuva podem balan\u00e7\u00e1-las (tirando-as da posi\u00e7\u00e3o ideal). Al\u00e9m disso, varia\u00e7\u00f5es da umidade afetam o sinal, de forma que o sinal \u00e9 mais atenuado em dias chuvosos, o que \u00e9 um dos grandes problemas dos provedores que oferecem acesso wireless. Sem uma boa margem de toler\u00e2ncia, sua rede poder\u00e1 funcionar bem nos dias de tempo bom, mas ficar inst\u00e1vel nos dias nublados ou durante as chuvas.<\/p>\n<p>Subtraindo a perda da pot\u00eancia inicial do sinal, obtemos o valor que chega at\u00e9 o cliente. Se a pot\u00eancia inicial (incluindo o ganho da antena) \u00e9 de 19 dBm e a perda causada pelo percurso (incluindo os obst\u00e1culos) \u00e9 de 117 dB, por exemplo, significa que o cliente receber\u00e1 um sinal de apenas -98 dBm. Se a pot\u00eancia de transmiss\u00e3o fosse aumentada para 26 dBm, ele receberia -91 dBm e assim por diante.<\/p>\n<p>Veja que aqui estamos falando em valores negativos, que consistem em apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o de milliwatt. Como vimos, um sinal de 1 milliwatt equivale a 0 dBm e precisamos dobrar a pot\u00eancia do sinal para cada 3 dBm adicionais. Da mesma forma, cada vez que dividimos a pot\u00eancia do sinal pela metade, subtra\u00edmos 3 dBm, de forma que -3 dBm equivalem a 0.5 milliwatt, -6 dBm correspondem a 0.25 e assim por diante. Se voc\u00ea fizer a conta, vai ver que -98 dBm corresponde a um valor realmente muito baixo.<\/p>\n<p>Ao receber o sinal, o cliente precisa amplific\u00e1-lo, de forma que ele possa ser processado. Entra em cena ent\u00e3o outra especifica\u00e7\u00e3o importante, que \u00e9 a sensibilidade de recep\u00e7\u00e3o (receive sensitivity), que corresponde ao n\u00edvel m\u00ednimo de sinal que o cliente precisa para receber os dados, com um volume aceit\u00e1vel de erros de recep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao criar um link de longa dist\u00e2ncia, \u00e9 importante usar pontos de acesso e placas com a maior sensibilidade poss\u00edvel. Tenha em mente que uma diferen\u00e7a de apenas 6 dB na recep\u00e7\u00e3o permite obter o dobro do alcance, utilizando as mesmas antenas. Este acaba sendo o principal diferencial entre placas de diferentes fabricantes, mesmo quando elas s\u00e3o baseadas no mesmo chipset.<\/p>\n<p>Uma dica \u00e9 que os pontos de acesso e placas 802.11g atuais oferecem em geral uma recep\u00e7\u00e3o melhor do que produtos antigos, baseados no padr\u00e3o 802.11b (mesmo se utilizadas as mesmas antenas), devido a melhorias nos chipsets.<\/p>\n<p>Os aparelhos baseados no 802.11n oferecem uma taxa de transfer\u00eancia muito maior a curtas dist\u00e2ncias, devido ao uso do MIMO, mas esta caracter\u00edstica \u00e9 praticamente in\u00fatil em links de longa dist\u00e2ncia, onde normalmente utilizamos uma \u00fanica antena. O 802.11n oferece algumas melhorias adicionais no sistema de corre\u00e7\u00e3o de erros e na transmiss\u00e3o do sinal, que reduzem o overhead da transmiss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao 802.11g, resultando em um certo ganho na taxa de transmiss\u00e3o (mesmo com uma \u00fanica antena), mas n\u00e3o espere muito. Note tamb\u00e9m que um grande n\u00famero de pontos de acesso 802.11n utilizam antenas fixas, o que os tira da lista de op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Voc\u00ea encontra a rela\u00e7\u00e3o entre o n\u00edvel m\u00ednimo de sinal para cada taxa de transfer\u00eancia nas especifica\u00e7\u00f5es da placa ou do ponto de acesso. A maioria dos dispositivos trabalha com um valor m\u00ednimo de -92 dBm e alguns chegam a -95 dBm (note que a sensibilidade de recep\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 necessariamente relacionada \u00e0 pot\u00eancia de transmiss\u00e3o). Entretanto, esse valor corresponde \u00e0 taxa de transmiss\u00e3o m\u00ednima, a 1 megabit. Para que a rede possa trabalhar a velocidades mais altas, \u00e9 necess\u00e1rio um sinal mais forte. Aqui vai uma tabela de refer\u00eancia para que voc\u00ea possa ter uma ideia. Os valores podem variar em at\u00e9 6 dBm, de acordo com a marca e o modelo da placa:<\/p>\n<pre>1 mbps: -92 dBm\r\n2 mbps: -91 dBm\r\n5.5 mbps: -90 dBm\r\n9 mbps: -88 dBm\r\n12 mbps: -87 dBm\r\n18 mbps: -86 dBm\r\n24 mbps: -83 dBm\r\n36 mbps: -80 dBm\r\n48 mbps: -74 dBm\r\n54 mbps: -72 dBm<\/pre>\n<p>Pela tabela podemos ver que um sinal de -98 dBm \u00e9 muito baixo, mesmo para criar um link de apenas 1 megabit. Para cada redu\u00e7\u00e3o de 3 dB no sinal, temos uma redu\u00e7\u00e3o de 50% na pot\u00eancia, de forma que -98 dBi corresponde a apenas um quarto de -92 dBi, que seria o m\u00ednimo para estabelecer a conex\u00e3o, dentro das especifica\u00e7\u00f5es da tabela.<\/p>\n<p>Como citei anteriormente, o ganho da antena afeta tamb\u00e9m a habilidade de recep\u00e7\u00e3o do cliente, de forma que seria poss\u00edvel estabelecer a conex\u00e3o com sucesso usando uma antena de maior ganho no cliente, que permitisse elevar o sinal de -98 dBm at\u00e9 o n\u00edvel m\u00ednimo necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Uma simples antena setorial ou yagi com 8 dBi de ganho, devidamente apontada para a antena do ponto de acesso remoto, seria suficiente para elevar o sinal ao n\u00edvel m\u00ednimo (a 1 megabit), mas seria necess\u00e1rio usar uma antena com pelo menos 26 dBi para ter uma chance de efetuar a conex\u00e3o na velocidade m\u00e1xima, a 54 megabits.<\/p>\n<p>Uma antena de 26 dBi de ganho seria muito cara e volumosa, e a instala\u00e7\u00e3o seria dif\u00edcil, j\u00e1 que tanto ganho resulta em um sinal muito focalizado. Nesse caso, seria muito mais simples usar uma antena de maior ganho no ponto de acesso, mantendo o cliente com uma antena de 8 ou 12 dBi.<\/p>\n<p>No exemplo, estamos emitindo um sinal de 19 dBi, o que corresponde \u00e0 pot\u00eancia inicial do ponto de acesso, usando a antena padr\u00e3o, de 2 dBi. Se a substitu\u00edssemos por uma antena de 16 dBi a pot\u00eancia do sinal j\u00e1 subiria de 19 (17+2) para 33 dBi (17+16). Descontada a atenua\u00e7\u00e3o, o cliente recebia (em teoria) um sinal de -84 dBi, o que reduziria e muito o ganho necess\u00e1rio para chegar nos -72 dBi necess\u00e1rios para efetuar a conex\u00e3o a 54 megabits.<\/p>\n<p>A f\u00f3rmula para calcular o sinal que chega efetivamente ao receptor \u00e9:<\/p>\n<pre>Pot\u00eancia de transmiss\u00e3o + ganho da antena - perda de sinal + ganho da antena receptora<\/pre>\n<p>Na pr\u00e1tica, temos mais duas vari\u00e1veis, que s\u00e3o as perdas introduzidas pelos cabos (quanto mais longo \u00e9 o comprimento e menor for a qualidade do cabo, maior \u00e9 a perda) e tamb\u00e9m o volume de ru\u00eddo de fundo (a combina\u00e7\u00e3o de todos os outros sinais de r\u00e1dio na mesma frequ\u00eancia) presente no ambiente.<\/p>\n<p>Cabos curtos e de boa qualidade normalmente resultam em uma perda inferior a 1 dB, mas cabos muito longos ou mal constru\u00eddos podem facilmente introduzir uma perda de 3 dB ou mais.<\/p>\n<p>A menos que voc\u00ea consiga instalar a antena diretamente no conector da placa (o que \u00e9 imposs\u00edvel com uma antena de alto ganho), voc\u00ea vai precisar usar dois cabos, um no emissor e outro no cliente, de forma que a perda do cabo torna-se uma quest\u00e3o cr\u00edtica. Se cada cabo causar uma perda de 3dB, a perda total subiria para 6 dBi, suficiente para fazer com que a velocidade da conex\u00e3o ca\u00edsse de 54 para 36 megabits, ou de 36 para 18 megabits.<\/p>\n<p>A perda de sinal causada pelo cabo \u00e9 tamb\u00e9m o motivo de algumas antenas baratas, de 4 ou 5 dBi, muitas vezes oferecerem uma recep\u00e7\u00e3o pior do que a antena padr\u00e3o do ponto de acesso. Se o cabo for ruim ou houverem falhas nas soldas, a perda pode acabar sendo maior do que a diferen\u00e7a de ganho da antena.<\/p>\n<p>Em seguida, temos a quest\u00e3o do ru\u00eddo de fundo, que dificulta a recep\u00e7\u00e3o do sinal pelo cliente. A rela\u00e7\u00e3o entre o sinal e o ru\u00eddo de fundo \u00e9 chamada de &#8220;signal to noise ratio&#8221; e \u00e9 informada por programas de diagn\u00f3stico (executados no cliente), como o Wavemon (no Linux) ou o Netstumbler (no Windows), como veremos em detalhes a seguir.<\/p>\n<p>Se o sinal for mais fraco que a interfer\u00eancia, o cliente n\u00e3o consegue capt\u00e1-lo e se o sinal for mais forte, mas a diferen\u00e7a for pequena, haver\u00e1 um grande volume de pacotes perdidos e a conex\u00e3o ser\u00e1 inst\u00e1vel. Para manter uma conex\u00e3o minimamente est\u00e1vel, \u00e9 necess\u00e1rio que o signal to noise ratio seja de pelo menos +5 dB, ou seja, que o sinal seja 5 dB mais forte que o ru\u00eddo de fundo ou interfer\u00eancia.<\/p>\n<p>Em zonas rurais ou pouco povoadas, o ru\u00eddo de fundo raramente \u00e9 um problema, j\u00e1 que o volume de transmiss\u00f5es \u00e9 pequeno, mas nas grandes cidades ele pode atrapalhar bastante, obrigando-o a usar antenas de maior ganho.<\/p>\n<p>Uma observa\u00e7\u00e3o \u00e9 que a antena no cliente capta tanto o sinal quanto o ru\u00eddo de fundo, amplificando ambos igualmente. Ou seja, ela permite captar um sinal mais fraco, mas n\u00e3o faz nada para melhorar o signal to noise ou seja, a rela\u00e7\u00e3o sinal\/ru\u00eddo. Devido a isso, em ambientes com muito ru\u00eddo, aumentar o ganho da antena transmissora acaba sendo mais efetivo do que aumentar o ganho da antena receptora.<\/p>\n<p>Usando amplificadores e antenas de alto ganho, \u00e9 relativamente f\u00e1cil criar links de longa dist\u00e2ncia. Basta calcular que um amplificador de 1 watt gera um sinal de 30 dBm. Adicionando uma antena parab\u00f3lica de 32 dBi, chegamos a 62 dBm. Usando o mesmo conjunto de amplificador bidirecional e antena do outro lado, poder\u00edamos facilmente criar um link de 32 km ou mais.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que um sinal t\u00e3o forte criaria um forte interfer\u00eancia em toda a faixa de sinal da antena, derrubando ou reduzindo a taxa de transmiss\u00e3o de todas as redes pelo caminho.<\/p>\n<p>Para ter uma ideia, o recorde de dist\u00e2ncia atual com uma rede Wi-Fi, obtido em junho de 2007 por uma equipe de t\u00e9cnicos da Venezuela \u00e9 de 382 km e existem outros exemplos de links com mais de 200 km (fa\u00e7a uma pesquisa por &#8220;wireless long-distance link record&#8221; no Google), como um link de 304, km obtido por uma empresa Italiana:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.wired.com\/gadgets\/2007\/06\/w_wifi_record_2.html\">http:\/\/blog.wired.com\/gadgets\/2007\/06\/w_wifi_record_2.html<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.ubnt.com\/company_press_07.php4\">http:\/\/www.ubnt.com\/company_press_07.php4<\/a>.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" id=\"figura59\" src=\"http:\/\/e.cdn-hardware.com.br\/static\/20110603\/m1bf876d3.jpg.optimized.jpg\" alt=\"\" name=\"figura59\" align=\"bottom\" \/><\/p>\n<p><em>Link Wi-Fi experimental de 304 km, criado pela Ubiquiti, na It\u00e1lia<\/em><\/p>\n<p>Em ambos os casos, os links foram criados em \u00e1reas pouco povoadas e obtidos usando antenas de alt\u00edssimo ganho, que resultam em um feixe extremamente estreito, limitando, assim, o n\u00edvel de interfer\u00eancia com outras redes. Entretanto, tentativas similares em \u00e1reas densamente povoadas, poderiam criar s\u00e9rios problemas. Com certeza voc\u00ea n\u00e3o iria gostar se o seu vizinho da frente jogasse um sinal de 62 dBm bem em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua janela.<\/p>\n<p>Para prevenir extremos como esses, existem normas regulat\u00f3rias, que variam de pa\u00eds para pa\u00eds. Nos EUA, \u00e9 permitido o uso de uma pot\u00eancia EIRP de at\u00e9 4000 milliwatts (36 dBm) utilizando uma antena de 6 dBi ou mais, ou de at\u00e9 1000 milliwatts (30 dBm) ao utilizar uma antena de menor ganho.<\/p>\n<p>O valor EIRP (equivalent isotropically radiated power) corresponde \u00e0 pot\u00eancia efetiva da transmiss\u00e3o, obtida somando a pot\u00eancia do transmissor e o ganho da antena (descontando perdas causadas pelos cabos e outros fatores). Ou seja, ao usar um ponto de acesso com transmissor com 250 mW e um cabo com perda de 3 dB, seria permitido usar uma antena de at\u00e9 21 dBi, e assim por diante.<\/p>\n<p>Em muitos pa\u00edses da Europa, vigora uma norma muito mais restritiva, que limita as transmiss\u00f5es a apenas 100 milliwatts (20 dBm), o que equivale \u00e0 pot\u00eancia nominal da maioria dos pontos de acesso, sem modifica\u00e7\u00f5es na antena ou uso de amplificadores.<\/p>\n<p>No Brasil, vigora uma norma de 2004 da Anatel (resolu\u00e7\u00e3o 365, artigo 39) que limita a pot\u00eancia EIRP do sinal a um m\u00e1ximo de 400 milliwatts (26 dBm) em cidades com mais de 500 habitantes. Acima disso, \u00e9 necess\u00e1rio obter uma licen\u00e7a (fornecida apenas a empresas), desembolsando R$ 1450 por ponto, mais uma taxa de renova\u00e7\u00e3o anual.<\/p>\n<p>A melhor op\u00e7\u00e3o para criar links de longa dist\u00e2ncia sem violar a legisla\u00e7\u00e3o, nem precisar pagar a licen\u00e7a \u00e9 reduzir a pot\u00eancia de transmiss\u00e3o do ponto de acesso (a maioria dos modelos oferecem esta op\u00e7\u00e3o nas configura\u00e7\u00f5es) e utilizar antenas de maior ganho dos dois lados do link. Assim, ao inv\u00e9s de usar 63 milliwatts (18 dBm) e antenas de 9 dBi, voc\u00ea usaria 31.6 milliwatts (15 dBm) e antenas de 12 dBi, por exemplo (a diferen\u00e7a de 1 dBm no exemplo corresponde \u00e0 perda do cabo).<\/p>\n<p>A l\u00f3gica \u00e9 que uma antena de maior ganho melhora tanto o envio quanto a recep\u00e7\u00e3o, enquanto uma maior pot\u00eancia melhora apenas a transmiss\u00e3o. Seguindo essa dica, \u00e9 poss\u00edvel criar links de 2, ou at\u00e9 mesmo 4 km sem violar a norma da Anatel. Calcule que emitindo um sinal de 26 dBm, e usando uma antena de 12 dBi no cliente, ele ainda receberia um sinal de -79 dBm depois de uma perda de 117 dB (26 -117 + 12).<\/p>\n<p>Outra restri\u00e7\u00e3o importante com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o Brasileira \u00e9 que para vender servi\u00e7os de acesso (como no caso de um provedor de acesso) \u00e9 necess\u00e1rio obter uma licen\u00e7a SCM, que al\u00e9m das taxas e da burocracia \u00e9 concedida apenas a empresas do ramo de telecomunica\u00e7\u00f5es. Sem a licen\u00e7a, voc\u00ea pode apenas criar links para uso interno (como ao interligar dois escrit\u00f3rios de uma mesma empresa, por exemplo), sem vender acesso \u00e0 web.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o Assim como em outras tecnologias de transmiss\u00e3o via r\u00e1dio, a dist\u00e2ncia que o sinal \u00e9 capaz de percorrer em uma rede Wi-Fi depende n\u00e3o apenas da pot\u00eancia do ponto de acesso, mas tamb\u00e9m do ganho da antena e de fatores ambientais, tais como obst\u00e1culos e interfer\u00eancia eletromagn\u00e9tica. 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